12 respostas sobre marketing e vendas no Instagram

Nessa semana, concedi uma entrevista para a Thamires, aluna do curso de jornalismo da UNIVAP sobre marketing no Instagram. A divulgação será feita na revista laboratório da universidade, mas por aqui já vou adiantar as 12 respostas das perguntas.

1-       Uma empresa chamada Fast Company mostrou que o engajamento das pessoas no Instagram é 15 vezes maior do que no Facebook. Por que isso acontece? Pra você qual o maior diferencial do Instagram pras outras redes sociais?

A fotografia sempre despertou o interesse das pessoas. Ainda sem muitas tecnologias, a minha infância e adolescência foi marcada por câmeras e filmes de 12 poses, que só saberíamos o resultado dos registrados, dias após a revelação. O melhor lugar pra fazer isso? Escolhia os que ofereciam como brinde, adesivos com expressões e frases para colar nas fotos. Com a facilidade da tecnologia e os recursos estarem acessíveis para todos, a construção de uma rede social que esfatiza esse aspecto não é nenhuma surpresa. A transição do analógico para o digital aconteceu muito rápido e surpreendeu pelo fato do usuário não precisar de conhecimento técnico para editar uma imagem.

Do ponto de vista da usabilidade, o Instagram prende a atenção do usuário porque ele mostra apenas uma imagem com pouquíssimo texto. No Facebook, por exemplo, você até pode visualizar imagens, mas elas também concorrem com muito texto. Se o acesso acontecer via desktop, ainda existem as laterais com recursos adicionais para distribuir ainda mais a atenção.

Além disso, ao incorporar os Stories, o Instagram deu um salto muito grande e se distanciou das demais, mesmo que esse recurso já existisse. A popularidade das fotos somada à aproximação que os Stories oferecem, consegue envolver e fixar o usuário, que fica com o celular a poucos centímetros do rosto.

2-       Existe uma forma ideal de criar conteúdo para o Instagram?

Sim! Não adianta apenas replicar o conteúdo de outras plataformas e esperar que dê certo. Pode dar certo, afinal, não existem regras no campo digital. Cada @ é único e cada público pode se comportar de maneira diferente. Mas, o ponto mais importante é avaliar os diferenciais da plataforma e produzir conteúdo a partir das recomendações sobre o formato, linguagem e design que é recomendado.

–       Quais os principais erros cometidos por quem quer se dedicar ao Instagram como recurso de venda?

São erros mais comuns do que a gente imagina e cometido inclusive em outras redes. Não estabelecer uma estratégica focada na plataforma. Não adianta apenas criar conteúdo e achar que isso vai vender. Como disse, pode ser que algumas marcas tenham sucesso dessa maneira. Porém, para minimizar os erros no meio do caminho, planejar é sempre o mais indicado pra qualquer tipo de negócio. Ainda mais, que por conta do algoritmo, é necessário investir em anúncios para alcançar mais pessoas e pra isso significar mais vendas, requer estratégia.

Outro erro que eu vejo bastante é usar o espaço apenas como publicidade dos produtos ou serviços. Sempre uso exemplos como: se você quer vender colchão, não fale apenas que o modelo X custa XX reais. O que você precisa vender para o público é a longa e tranquila noite de sono que ele vai ter. Por isso é tão importante definir editorias com assuntos que não são comerciais.

Se engana quem pensa que é algo fácil de se fazer. Tanto não é como pode dar muito erro mesmo seguindo todos os passos indicados numa consultoria digital. Abrir uma loja no Instagram é o novo abrir um ponto comercial no centro da cidade. Você precisa levar em consideração, informações, técnicas e métodos que são a base do marketing, como os quatro Ps: preço, praça, produto e promoção. Sem o devido estudo, que antecede a fase do marketing digital, pode dar muito errado e culpar o social media é o caminho mais fácil.

Também é muito comum ver o empreendedor querendo desempenhar multifunções. Se ele tiver disposição, tempo e habilidade, pode rolar. Mas, se faltar um pouquinho de qualquer uma das características que ele precisa pra tocar sozinho, seja porque hoje todo mundo manja muito de marketing digital, inclusive ele acha que manja, o negócio já nasce fardado ao fracasso.

4-      Mais pessoas estão procurando por profissionais especialistas em redes sociais?

Em parte, sim. Do ponto de vista que estratégias, técnicas e tutoriais estão disponíveis e as redes sociais funcionam de maneira intuitiva, muitos empreendedores decidem fazer sozinhos. Mas, quando eles percebem que na verdade, não aprenderam, não sabem ou não dão conta, eles procuram ajudam profissional. Ainda encontramos outros com uma mentalidade mais avançada e conscientizado de que cada área desempenha um papel importante e que juntas formam um time, o marketing digital é só uma ponta. Assim, logo de cara, já envolvem o profissional no planejamento do negócio, mesmo que ainda esteja no papel. Esse é o melhor cenário.

5-       O Instagram é uma rede social mais visual, então como tornar as imagens e vídeos mais atrativos? É preciso se preocupar com a estética e a forma como se está organizando o feed?

Bom, isso depende do público. É difícil afirmar sobre um padrão, porque vemos contas extremamente bagunçadas ou feias, do ponto de vista estético, que vendem. O que é preciso ter em mente é que não é porque o seu feed é organizado que você vai vender. O principal é ouvir o público, definir suas personas, traças estratégias, executar o que foi planejado, acompanhar e avaliar. As mensurações podem ajudar exatamente a responder essa pergunta, que na minha opinião, é muito variável.

De modo geral, as pessoas gostam do que é bonito e isso não quer dizer que seja 100% produzido. Aliás, quanto mais bonito e menos produzido estiver, mais próximo de um post de uma pessoa e não de uma marca estiver, mais envolvimento o conteúdo pode atrair.

Existem vários apps que podem ajudar nesse processo criativo, mas não dispensaria uma ajuda profissional. Definir a paleta de cores é fundamental. Por exemplo, o Nubank sempre tem algum elemento roxo. Para saber se o feed vai ficar harmonioso com as postagens produzidas, o app UNUM simula como ficaria. Para os Stories, o Unfold tem recursos com possibilidade de colocar imagem, vídeo e foto em um mesmo Story.

6-      O que é essencial para quem quer fazer o uso do Instagram para fins lucrativos?

O essencial é a consciência e um alinhamento de expectativa, principalmente se houver a contratação de um profissional para execução do projeto, seja um designer, social media, analista de marketing, jornalista… Não existe uma receita de bolo ou milagres. Sucesso no Instagram é sinônimo de trabalho longo e duro.

7-       Existe uma linguagem específica para trabalhar com o Instagram?

Sim! A visual, um mix de fotos, GIFs e vídeos. Não é uma rede focada em texto, mas ele pode ser usado de forma complementar. A mensagem principal sempre deve estar concentrada no elemento que mais atrai a atenção do usuário. Alguns nichos fazem muito sucesso, como moda, gastronomia, entretenimento, lifestyle… Cada um com uma linguagem diferente, mas sempre de acordo com os formatos, seja no Instagram ou seja para os Stories.

8-      O que uma empresa tradicional que deseja migrar para o Instagram deve fazer? Quais são as principais adaptações?

Primeiro, deve estudar o mercado e ter em mente que é algo completamente novo e que o público se comporta de forma diferente nos ambientes off-on. Depois, criar suas estratégias, definir objetivos e quais métricas serão acompanhadas. Além de usar o Instagram Business que é fundamental. A produção de conteúdo e como ela se apresenta podem ser o seu diferencial. Também é indispensável fazer uma varredura sobre a reputação da marca no ambiente digital, no Google as empresas são avaliadas, porém, muitas não acompanham o que dizem sobre ela. Usar outras mídias para compor o seu posicionamento não é algo a se descartar. Com esses insights é possível fazer ajustes na rota.

É preciso também fazer um ajuste no orçamento e destinar investimentos para o ambiente online, seja para anúncios ou produção de conteúdo em vídeo, com captação e edição profissional.

E claro, paciência. Não existe uma chavinha que muda uma empresa off para online com um truque. Requer aprendizado e insistência até encontrar o modelo ideal do negócio no Instagram.

9-      O mercado nessa área está crescendo cada vez mais, como lidar com a concorrência e se destacar?

Na internet, a concorrência é pela atenção e não concorrência entre negócios. O post sobre um novo batom lançado pela marca X concorre diretamente com a atenção das pessoas que estão sendo impactadas no feed por postagens de notícias, o vídeo do bebê da amiga, a foto do meu gatinho… As ações devem ser focadas para conquistar o que tem de mais valioso nesse universo, que é a atenção. Só depois disso que recomendo fazer uma venda.

10-     O que é primordial para criar um anúncio no Instagram? Como faz pra ter um bom alcance?

É fundamental seguir as recomendações da própria plataforma quanto ao criativo, respeitando os 20% de texto sendo foto ou vídeo, e caprichar na legenda, curta e estimuladora a ação. É necessário testar formatos, no feed ou Stories, foto, vídeo ou carrossel para entender como o público se comporta e qual tem a melhor performance. Se a parte técnica estiver ok, quem vai ditar qual é o melhor anúncio é o próprio público.

11-      Os anúncios e propagandas feitos no Instagram atingem um público maior do que aqueles feitos nas mídias tradicionais?

Depende do investimento realizado no Instagram e depende da mídia tradicional que vai ser comparado. Por exemplo, o jornal X tem uma tiragem de 100.000 exemplares e o anúncio custa R$500. Possivelmente, com os mesmos R$500 não será possível alcançar 100.000 no Instagram, também exemplificando, que o custo médio de um custo por pessoa alcançada seja de R$0,35. Depende do leilão, do público, da concorrência, mais uma vez, depende do público. Mas, a avaliação que deve ser feita é: O anúncio iria atingir AS MESMAS 100.000 PESSOAS? As mídias, off e online, tradicionais e mais recentes, se complementam e formam um mix necessário.

12-     Como as marcas devem fazer uma parceria com influenciadores?

A maioria começa de um jeito meio torto e acaba aprendendo no meio do caminho ou quando não obtém resultado algum com o influenciador contratado. Influenciador não é aquele que tem milhares de seguidores. Qualquer pessoa, com os seus 1000 seguidores é um influenciador. Desde que o mundo é mundo, influenciamos pessoas a nossa volta. Não se apegar aos números de seguidores, até porque eles podem ser comprados, é o primeiro passo.

É preciso entender se o público daquele influenciador é realmente engajado com o conteúdo que ele produz. Se comenta, interage, manda mensagens… É isso que importa. Se não, o publi post vai ser mais um com X mil de alcance que não gerou nenhuma ação. Depois, avaliar se é esse o público que a marca deseja atingir, convidar o influenciador para juntos desenvolverem o conteúdo e por fim, mensurar os resultados. Isso é o básico.

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camila-carvalho-avatar (1)

💁‍♀️  Jornalista, especialista em marketing. Falo sobre redes sociais e uso consciente da tecnologia. 🧠   

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