Profissão jornalista: vida fora das redações para a UNIVAP

A professora Monique Baraúna me convidou para conversar com os alunos do último semestre de jornalismo da UNIVAP sobre a vida profissional fora das redações. Me bateu uma saudade dos meus 20 anos e de como fazia planos para um futuro que até então era incerto e turbulento.

Decidi falar sobre a minha própria carreira e como transformei ao passar dos anos para sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo e em extrema mutação.

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Comecei os meus estudos na Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, em 2007. Na época, me inscrevi para jornalismo, mas por uma questão estratégica, todos os alunos matriculados em comunicação social, cursaram primeiro um Tecnólogo em Comunicação Empresarial. Um curso novo, com um grade de aulas bem diversificadas, de eventos à publicidade. No início, torci o nariz, mas depois me entreguei. Fiquei fascinada em descobrir como as estratégias se complementavam. Depois, fiz o Bacharelado em Jornalismo, começamos com uma turma de quase 100 e nos formamos em 12 alunos, aproximadamente. Alguns estão desempregados, outros não estão na área. Fico feliz em acompanhar, mesmo que pelo Facebook, o desenvolvimento do pessoal.

Bem no meu último ano, em 2009, eis que o STF (Superior Tribunal Federal) derrubou a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Foi um caos internamente. Não conseguia imaginar como seria dali pra frente. Fiz alguns trabalhos para a faculdade mesmo, entrevistando profissionais renomados da área e a verdade é que nunca existiu um consenso.

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Hoje eu entendo que, talvez, o jornalismo não precise ser a primeira faculdade de alguém que se interesse pela profissão. Mas, derrubar a obrigatoriedade do diploma, faliu a oferta de graduações. Os cursos que eu fiz na Braz Cubas não existem mais. O departamento não existe mais. Meus professores foram demitidos. Esse assunto ainda me deixa triste, mas ao pesquisar pra falar sobre isso com a turma, vi que a pauta está novamente em discussão.

Em 2015, decidi que precisaria de algo para dar um plus na minha formação. Algo que pudesse de fato mudar o meu posicionamento profissional. Foi então que fiz uma pós graduação na UNITAU, em Marketing e Mídias Sociais. Sendo assim, posso usar o título de Especialidade em Mídias Sociais.

Fiz um resumo das minhas experiências profissionais e como eu obtive aprendizado e experiência, até nos momentos mais ruins, com as pessoas mais ruins. Comecei em 2007, na Rádio Mensagem em Jacareí. Era responsável por produzir pautas, apresentar boletins e fazer as reportagens de rua. Eu gosto muito de rádio, acho um universo fascinante e ele me acompanha até hoje. No carro, por exemplo, evito colocar as músicas do pen drive. A minha diversão é ficar passeando pelas estações. Mas, voltando ao assunto, dois anos e meio depois, eu fui demitida.

Não demorou muito para eu ser chamada para uma vaga na assessoria de comunicação do SAAE, autarquia da Prefeitura de Jacareí. Nessa ocasião, pude colocar em prática muito do que aprendi no curso de Comunicação Empresarial. Lembro que uma vez criamos o jornalzinho do banheiro, colado do lado de dentro da porta das cabines. Foi um sucesso. Também ajudava organizar eventos internos e com autoridades. Mas, como todo bom estágio, tudo chega ao seu fim. Eu estava me formando e não tinha perspectiva de efetivação.

Foi então, que eu fui indicada para um cargo comissionado na Câmara Municipal de Jacareí. Produzia releases e conteúdos informativos para a imprensa sobre o trabalho dos vereadores.  Era uma grande responsabilidade, mesmo sentindo hoje que não tinha tanta maturidade para certas situações. Quando os cargos se transformaram em concursados, me vi mais uma vez desempregada. A primeira vez com dois diplomas na mão. Diplomas esses que eram dispensáveis e não obrigatórios.

Por muito tempo, quebrei a cabeça pra entender o que eu poderia fazer pra ganhar dinheiro e continuar no jogo. Até que um empresário me chamou pra casa dele, queria um job pontual de assessoria de imprensa. Quando eu vi um cara importante correndo pra lá e pra cá, fazendo coisas que eu poderia fazer facilmente, foquei no objetivo e sai da reunião empregada. Assumir a coordenação da Cenário – A Casa Show, foi o meu primeiro emprego home office. Tínhamos um escritório, mas eu poderia trabalhar de casa se eu quisesse. Foram dias e noites de trabalho desempenhando diversas funções. Aproveite ao máximo tudo que poderia desenvolver e principalmente, aprender. Foi então, que eu descobri o poder das mídias sociais para atrair pessoas para os eventos que a gente promovia. Ficava cada vez mais obcecada em envolver o público de um jeito diferente do que eu sabia. Na época, não encontrava cursos e tutoriais como vemos tão facilmente hoje. Aprendi na raça. Praticando. Fazendo. Errando. Tinha muita vontade de continuar fazendo só isso. Apenas isso.

A primeira oportunidade de social media surgiu com a Valejet, um e-commerce que vende insumos para impressão. Eu nunca fui de negar qualquer atividade. Mesmo que eu não saiba, sempre buscava como fazer algo. Foi assim que quando o designer quebrou o braço, eu quebrei o galho e desenvolvi embalagens de produtos. Produtos esses que ainda estão à venda, com a carinha que eu escolhi.

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Depois, pintou uma oportunidade ainda mais legal, porque sempre quis trabalhar em agências e atender várias marcas. Cada uma carrega o seu DNA e o trabalho é completamente diferente de uma pra outra. Comecei na Alameda Comunicação, fazendo as mídias sociais dos primeiros clientes mais relevantes no cenário digital, como Colinas Shopping e CCR Nova Dutra. Fiquei ainda mais encantada e querendo mais. Buscava uma experiência diferente. Queria saber como era atender uma única empresa. Algo mais institucional e centralizado. Eu não poderia imaginar que seria um local que eu sempre sonhei, mas via como algo distante.

Em 2015, fui chamada para o processo seletivo pra vaga de social media na TV Vanguarda e passei. Eu nem conseguia acreditar que estava ao lado de jornalistas que eu sempre admirei. Em contato com profissionais que eu já conhecia, já acompanhava, já era fã. Eu gerenciava todos os canais digitais, criando estratégias da entrega do conteúdo já produzido pelos jornais, programas e G1. Era um desafio diário acompanhar a audiência e contribuir significativamente para que grandes projetos fossem entregues com perfeição.

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Por lá, pude ter a certeza que a jornalista que habita em mim, tem lugar cativo a onde quer que ela esteja. Como disse na minha apresentação, sempre fui e vou continuar sendo uma grande apaixonada por pessoas e histórias. Essa é minha essência e é isso que eu carrego. Quando me deparei com uma dessas pessoas que a história você só vê na TV, mas que a responsável de colocar ela lá, sou eu, tive a certeza de que poderia fazer isso em qualquer lugar. A internet nos transformou em meios. Em veículos. Em mídia.

Eu estava andando pelo centro de Jacareí em um final de semana, quando encontrei o Gabriel. Um jovem de 17 anos que vendia cremosinho para juntar dinheiro e bancar suas despesas em São Paulo. Ele havia passado no vestibular. Fiz essa imagem abaixo de forma despretenciosa, já estava dentro do ônibus quando escrevi algumas palavras na esperança de que quando os meus amigos encontrassem o Gabriel, ajudassem ele comprando o cremosinho.

Eu não imaginava que teria o meu segundo post viral (o primeiro foi sobre o Black Fraude). Pessoas gostam de pessoas. Pessoas gostam de histórias. Não demorou muito para que o próprio G1, que fazia parte da empresa que eu trabalhava, me pedisse mais informações sobre o Gabriel.

Sua história apareceu na TV e na internet. Ele recebeu uma projeção que não esperava e eu mais uma vez me redescobri profissionalmente.

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O problema de todo sonho é que um dia ele acaba. O meu se encerrou em outubro de 2017, quando decidi que não estava feliz. Não estava realizada. Não estava cumprindo o meu papel. Não estava mantendo o compromisso que fiz a mim mesma. Pedir demissão não é uma decisão fácil. Costumo dizer que é para os fortes. Muitos querem, mas lhes falta coragem, alternativa, saída… Não esperei me afundar em decepção para agir. O mais importante nessa situação é identificarmos aquilo que não queremos ser ou fazer. É como escolher o almoço em um restaurante. Se você sabe o que não coloca no prato de jeito nenhum, fica mais fácil escolher entre as opões algo que você realmente goste.

Finalmente, estava eu, tirando o meu plano B do papel e abrindo o um office pra chamar de meu. A primeira decisão que tive foi de não abrir uma agência. Não queria ser mais uma. Procurava o meu diferencial. O que poderia me destacar na multidão. Decidi que não assinaria apenas com um título e sim com uma solução.

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Quando eu pude olhar pra dentro de mim, finalmente consegui encontrar o meu propósito de vida. Dei importância a quem realmente precisava: eu. Algumas perguntas me ajudaram nesse processo, embora tenha feito algumas sessões de coach, me dei alta quando cheguei a conclusão que as respostas de todas as minhas perguntas estavam dentro de mim. Essa matéria da M de Mulher em responsa nisso. 

  1. Qual é o sentido da humanidade? E como eu contribuo? 
    Acho essa bem complexa, ainda mais no momento que estamos vivendo, mas entendi que o meu papel é justamente contribuir para a construção de uma nova sociedade através de orientação e conhecimento.
  2. Dá para aproveitar melhor os meus talentos?
    Dá sim! Nossa, por favor! Aproveitem os meus talentos. Eu estava desesperada para externar tudo que eu estava aprendendo e colocar em prática as minhas fórmulas e teorias.
  3. De que forma posso ser mais eu?
    Se tem uma coisa que me tira do eixo é a mentira. Isso não faz parte de mim. A mentira acaba comigo. Pra eu ser mais eu, precisaria de mais liberdade.
  4. Afinal, qual é o meu trabalho?
    Será que é só distribuir posts estrategicamente? Hum… Não! Eu quero mais!
  5. Como estar presente de corpo e alma em tudo o que faço?
    Simplesmente amando o que você faz.

Essas foram as perguntas e respostas que trago comigo todos os dias. Quando penso em desistir. Quando me deparo com alguma dificuldade. <3

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É preciso ter muita coragem pra assumir riscos. Pra fazer o que as pessoas não esperariam de você. Pra fazer o que você ACHA que não consegue. Quando se tem o propósito muito bem definido, fica menos difícil. Quando isso acontece, o universo conspira ao seu favor.

No meu plano de negócios, dividi em algumas frentes pra ganhar visibilidade e  me tornar referência quando o assunto é o meu trabalho. Comecei colocando esse site no ar. Em um ano, impactei quase 30 mil pessoas através dos meus conteúdos, de forma orgânica.

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Também criei um canal no Youtube que soma quase 60 mil visualizações em seis meses. E um Instagram, também criado recentemente, para complementar e oferecer possibilidades multimídias, com o Marketing na Palma da Mão.

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Estava eu, tranquilona passando uma temporada em Ubatuba, desesperada por um motivo pra voltar, quando a Mestra Comunicação abriu uma vaga bem específica, de mídia online. Enquanto no meu escritório sou responsável por atendimento, gestão, criação, desenvolvimento, SAC, anúncios, relatórios… Na agência faço apenas a veiculação digital. É uma experiência que eu sempre quis ter e estou simplesmente adorando.

“MAS, COMO VOCÊ CONSEGUE?”

Sim, tenho dois empregos e ainda reservo tempo para palestras, cursos, workshops e treinamentos. A palavra que rege os meus dias é ORGANIZAÇÃO. Sem ela não seria capaz de dar conta de vários papeis que desenvolvo ao longo de um dia. Além dela, foco, bom senso, disciplina e comprometimento seguem juntinho comigo.

Se você chegou até o final desse post, obrigada pela paciência com o meu textão. Tentei transmitir um pouco do que rolou na palestra e se de alguma maneira, eu também puder lhe dar um conselho, é esse:

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Os meus são esses e os seus? Pense nisso! Tire do papel.

Registro do Wenzel Estúdio com alguns momentos dessa noite tão especial pra mim.

 

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💁‍♀️  Jornalista, especialista em marketing. Falo sobre redes sociais e uso consciente da tecnologia. 🧠   

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