#Resenha – O poder da autorresponsabilidade

Desde quando me tornei líder de uma equipe, algo que me fez refletir muito sobre a responsabilidade que iria ser, coordenar pessoas e responder por processos, além de assinar o sucesso ou o fracasso dos clientes. Eu sempre fui muito responsável, meu pai nunca me chamou pra ir pra escola e minha mãe, mesmo sendo professora, nunca precisou conferir se eu realmente havia feito a lição de casa. Essa característica me ajudou muito a assumir uma postura, às vezes um tanto quanto individualista, de finalizar todos os meus jobs até o fim, sem deixar nada pra depois.

Transmitir elementos tão fortes da minha personalidade para um grupo, que poderia ou não segui-los, é um desafio. Então, comecei a ler o livro “O poder da autorresponsabilidade”, do Paulo Vieira. Famoso por outros títulos, me encantei quando vi na livraria aquele pedacinho de papel fácil de segurar com uma mão. Sem dúvida alguma, todo o conceito descrito nele, tem tudo a ver com inteligência emocional. Eu sempre tive altos e baixos na minha vida, mas se tem algo que eu faço com maestria é tentar sempre ver o lado bom das coisas, o que me garantiu o apelido de Alice (do País das Maravilhas) por muito tempo.

“Ficou claro pra mim que tudo que eu estava vivendo nos últimos treze anos não eram fracassos, mas, sim os resultados das minhas ações e atitudes.”

Sabe aquela reflexão “você só colhe o que planta”? É isso! Basicamente, tudo que a gente vive são reflexos das nossas escolhas, muitas vezes, quando estamos dentro de uma situação ruim, não conseguimos enxergar como poderia ter sido diferente. Mas, depois que tudo passa, notamos que tínhamos um plano B. Obviamente que existe uma variação nas áreas familiar, saúde, social, financeiro, emocional, mas o foco da minha auto-análise é sempre no profissional.

Acho muito pesado a gente olhar para o passado com o olhar de culpa. O principal motivo que me leva a questionar decisões que impactaram a minha vida é aprender com elas para não repetir no futuro. Alimentar sentimentos como esse não vão ajudar em nada. Com o tempo, aprendi a identificar o que me fazia bem e o que me fazia mal e esperei o momento certo para agir, seja em um pedido de demissão ou para uma conversa clara com algum colega de trabalho.

“Um grande engano da maioria das pessoas é achar que são o que são e, como uma estátua de mármore, continuarão a ser da mesma maneira para sempre, sem a possibilidade de mudanças e transformações.”

Ufa! Ainda bem! Adoro usar a busca do Twitter (@usuário + palavra) pra saber o que eu pensava sobre determinado assunto ou pessoa há 10 anos. O tempo mostra o quanto podemos amadurecer nossas ideias, ou simplesmente validá-las. Sem essa flexibilidade eu jamais teria revisto frases racistas que eu já falei para a minha melhor amiga (negra) de infância que eu amo de paixão. Eu não saberia a diferença entre falar o que eu penso e pensar antes de falar. Acho que passar dos 30 anos tem um mix de experiência e referência. A pessoa mais nova da minha equipe tem 20 anos (um beijo, Ari) e com certeza o que eu passo pra ela hoje, vai ficar gravado na memória. Digo isso, pois também tive algo que me marcou. Logo no meu primeiro emprego como jornalista, tive uma coordenadora que corrigia (e mudava) os meus textos. Eu ficava emburrada, triste, me sentia incapaz… Mas, anos depois, aprendi que as pessoas são diferentes, logo pensam e escrevem diferentes. Não necessariamente havia algo tecnicamente errado, mas, sim, um trabalho que poderia ser melhorado.

“Aquele que for capaz de perder uma corrida sem culpar os outros pela sua derrota tem grande chance de algum dia ser bem-sucedido.” Napoleon Hill

Me lembro como se fosse hoje. Fechei um trabalho de promoção de eventos no litoral, estava desempregada e sem perspectivas de um novo trabalho fixo. Eis que me ligam pra fazer uma entrevista. Peguei o ônibus e parti rumo a um bate e volta. Chegando no local combinado, o responsável não estava. O ano era 2011, não tínhamos tanta tecnologia. Era SMS e ligação, a pessoa não me respondia. Fui pra casa arrasada, chorando muito. Me tranquei no quarto. Minha mãe vendo a situação, abriu as janelas pra luz entrar e me disse algumas palavras que me fizeram refletir na persistência. “Sério que você vai ficar aqui chorando? Você poderia ter ficado lá, esperando a pessoa chegar, você não acha? Você vai desistir assim?”, ela não disse, ela gritou… kkkkkkk Voltei pro mesmo local, a pessoa tinha esquecido que havia marcado. Foi assim que eu consegui o meu primeiro emprego formal como jornalística depois de formadjornada-do-processo-humano-camila-carvalho

De acordo com o desenho, que representa a jornada do progresso humano em quatro etapas, me considero entre autorresponsabilidade e visão positiva do futuro. Em tempos de COVID-19, confesso que tá cada vez mais difícil manter o ânimo e a vontade de fazer coisas não obrigatórias, como escrever pro blog, gravar pro canal e focar a energia nas atividades essenciais que é o trabalho. Justamente porque a minha visão do futuro está lá na frente. Com cada vez mais as pessoas não respeitando o isolamento e influencer fazendo festa, bate um desespero. Enfim, dos três níveis de consciência humana: disfuncional, relativa e plena, definitivamente já atingi o meu máximo, bem longe de ser totalmente plena, isso não existe. Gosto da metáfora usada pelo autor:

“Quando a pessoa está no nível mais baixo de consciência, na base da montanha, ela não consegue ver nada, pois está no fundo do vale. À medida que ela sobe na montanha da consciência e atinge um patamar mais elevado, torna-se capaz de ver muito mais distante, porém sua visão é relativa, pois a própria montanha impede que ela veja o outro lado. Sua visão é limitada. Porém, quando se atinge o topo da montanha da consciência, a pessoa passa a ter uma visão total, panorâmica em 360° da realidade. Ela consegue enxergar até o horizonte e perceber até o que está por vir de maneira bem antecipada. Essa pessoa conquistou a consciência plena.”

Ainda falando sobre os níveis de consciência descritas pelo autor, a relativa é a imprecisão que temos do mundo, de nós mesmos e de tudo ao nosso redor com poucos filtros. Já a disfuncional, existe uma peneira parcial, é como os enfermos se sentem, por exemplo. Esse é o primeiro passo da nossa jornada de autorresponsabilidade: entender o nível de consciência e trabalhar para que seja plena todos os dias. Afinal, dois dos principais fatores que nos impede de ter consciência plena, segundo Vieira, são: falta de empatia e caráter antissocial.

“Um gestor sem empatia maltratará seu subordinado com comparações, acusações, grosserias e indiferença, o que, em conjunto, pode até ser chamado de assédio moral. Contudo, mais uma vez, se essa pessoa não tem emparia, todos vão perceber a sua forma rude e grosseira, menos ela. As consequências para a empresa são óbvias. Uma delas é a certeza de que esse líder não formará um time de de alta performance. Afinal, que talento profissional está disposto a se deixar liderar por alguém rude e cruel?”

O livro é recheado de exercícios que estimulam a reflexão. Exemplos, histórias e casos também ajudam muito nesse processo. Confesso que não gosto de escrever nos livros, uso somente marca texto. Então, uso um caderno de apoio para responder os questionamentos. 🙂

As seis leis para a conquista da autorresponsabilidade

Segundo Paulo Vieira, as regras citadas abaixo são fundamentais e ele explica com detalhes cada uma delas. É a parte que eu mais gostei, pois pude entender a complexidade das expressões que muitas vezes usamos no cotidiano.

  1. Se é para criticar, cale-se
  2. Se é para reclamar, dê sugestão
  3. Se é para buscar culpados, busque solução
  4. Se é para se fazer de vítima, faça se vendedor
  5. Se é para justificar seus erros, aprenda com eles
  6. Se é para julgar as pessoas, julgue apenas suas atitudes e comportamentos

Eu escrevi essas leis e colei no meu caderno que uso no trabalho. Leio sempre que preciso de um respiro de responsabilidade. Nem sempre nossas decisões são pautadas a partir dessas premissas, então, fazer o resgate constante dos valores que nos guiam, pode ajudar.

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Considero os três últimos capítulos, um mix de tiro, porrada e bomba. A forma como o autor aborda três assuntos fundamentais, tenho vontade de imprimir e espalhar pelos postes das cidades. Nessa resenha, citei meu pai e minha mãe. Não considero que tive muitos aprendizados emocionais com eles, mas os poucos que aconteceram me tornam uma pessoa independente para aprender com a vida. “Como usar as leia da autorresponsabilidade, somado ao “Ah, se eu tivesse oportunidade” e “Mudando a minha existência sem mudar as pessoas”, eu poderia exemplificar com aquele emoji com o cérebro explodindo. Eu tive a certeza absoluta que eu detesto pessoas reclamonas, que culpam os outros e não a si mesmo pelos seus fracassos e que não existe a menor possibilidade de mudar alguém, se ele não quiser.

Fim da resenha, se não eu não vou conseguir parar. Se você for minha amiga (o), é só pedir emprestado. Se não nos conhecemos, você pode comprar e depois emprestar para a sua galera.

Livraria Cultura
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💁‍♀️  Jornalista, especialista em marketing. Falo sobre redes sociais e uso consciente da tecnologia. 🧠   

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